Faça o que eu mando, não faça o que faço.

Foto publicada no grupo República Jahuense, por Paulo Guerra, a quem agradeço o empréstimo.

Este prédio fica na rua Amaral Gurgel, 718. Tem história. Muito mais do que imaginava. Outro dia passei por ele e disse a mim mesmo: a primeira vez que lembrar de sair com a máquina fotográfica passo por aqui, tiro uma foto e posto no blog. Isso não pode continuar como está. Vai acabar caindo, como aconteceu com boa parte do prédio que fica na Visconde com a Dr. João Leite, onde funcionava a escola de música.

Ontem, passeando pelo grupo da República Jahuense, no Facebook, vi a foto do prédio, li o post de Paulo Guerra e todos os comentários de pessoas que, como eu, consideram um absurdo o lastimável estado de imóvel como aquele, em pleno centro da cidade.

História – Sabia que naquele prédio, durante anos, funcionou a Câmara Municipal. Muitas leis que vigoram até hoje nasceram lá. Durante certo tempo abrigou documentos do arquivo morto da Prefeitura.  Mas a história deste imóvel agora mambembe vem de longe, segundo depoimento de amigos da República Jahuense.

Lá funcionava o Centro Operário Beneficente de Jahu, fundado pelos idos de 1910, por Tasso Magalhães, Tolentino Miraglia e João de Camargo Penteado, segundo informou Paulo Guerra. Seus associados tinham um jornal, usavam o prédio para realizar assembleias e debates sobre a teoria anarquista.

Era conhecido também como Clube do Reio, porque seu presidente era Vitor Rascachi, lider dos carroceiros da cidade, lembrou Cândido Galvão de Barros França, o Candão, que era vereador quando a Câmara funcionava lá. O mesmo imóvel abrigou também um bilhar (do seu Aquino), nos anos 80, virou salão de baile e depois abrigou documentos da Prefeitura.

Talvez por essa razão muita gente acredita que o prédio pertence à Prefeitura. Se não for do município, cabe ao Patrimônio Histórico entrar em contato com o proprietário, seja lá quem for, e evitar que um pé de vento transforme aquele local em um monte de entulhos.

Se o imóvel for mesmo da Prefeitura, como desconfio, então o caso é bem pior. É puro desleixo. É deboche. É aquela história do faça o que eu mando, mas não faça o que faço. Não duvido. Não ponho minha mão no fogo. De jeito nenhum.

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    • Neto Ormelese
    • 30 de julho de 2011

    Mario, o lider dos carroceiros e presidente do Clube do Reio Vitor Rascachi era meu avô, pai de minha mãe e fiquei feliz de ser lembrado.
    Um abraço.
    Neto

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