Vereadores têm que apreender e se atualizar. E isso tem preço.

Reportagem de capa do “Comércio” de hoje traz, em manchete, que “Vereadores gastam R$ 2,1 mil com refeições durante viagem”. O assunto também aparece no editorial da página 2, sob o título “Os que estiverem de acordo permaneçam sentados”.

Não pretendo discutir aqui a manchete ou o conteúdo do editorial do “Comércio”. Vou apenas utilizar os números publicados para respaldar minha opinião sobre o assunto. Vamos a eles. Sete pessoas ligadas à Câmara  (cinco vereadores e dois funcionários) viajaram para participar de um congresso em São Vicente. Apresentaram uma conta no valor de R$ 4,6 mil como despesas de viagem de três dias. Arredondando, R$ 220,00 por dia para cada um, incluindo combustível, pedágio, alimentação e hospedagem. É muito? Não acho.

Esse tipo de congresso acontece uma, duas vezes por ano, no máximo. E são muito úteis. Reúnem palestrantes de alto nível e fornecem uma gama enorme de informações que, permanecendo aqui, nossos vereadores jamais conseguiriam ter. Expositores mostram uma série de novidades em equipamentos e softwares que ficando em Jaú eles dificilmente conseguiriam ter acesso. Se estiverem realmente interessados em aproveitar, é uma excelente oportunidade para aprender e se atualizar.

Vamos, então, aos gastos com alimentação.  R$ 2,1 mil divididos por três dias, divididos por sete, dá R% 100,00 por dia para cada um. Almoçar, tomar um lanche e jantar por R$ 100,00 em uma cidade turística como São Vicente, ou em uma das mais caras do mundo como é São Paulo, também não me parece ser nenhum exagero.

Nem a destacada refeição em uma churrascaria em São Paulo que custou R$ 596,00. Vamos dividir por sete de novo? R$ 85,00 por pessoa. Razoável. A churrascaria em questão, Prazeres da Carne, está longe de ser das mais bem conceituadas da cidade, como o Fogo de Chão, por exemplo, que cobra quase R$ 100,00 só o rodízio, sem contar couvert, água, refrigerantes e os inevitáveis 10%.

Penso assim: uma pessoa que viaja a trabalho deve ter respeitada sua individualidade. Tem o direito de ficar em alojamento individual. Afinal, como em qualquer empresa, quando um funcionário está viajando fica 24 horas por dia à disposição do trabalho. Tá na lei. Se não pode ter sua cama, seu travesseiro e sua família ao lado, ao menos que tenha o mínimo de privacidade. E se é obrigado a fazer refeições apressadas durante os dias de trabalho, também não comete nenhum pecado mortal se, missão cumprida, compensar a correria com uma refeição melhor e mais tranquila.

A questão importante em relação à nossa Câmara não é, no meu modo de ver, se os vereadores devem economizar 20,30 ou 40 reais em uma refeição uma vez na vida, outra na morte. É mobilizar a população para discutir se nossos vereadores devem ou não gastar R$ 2 milhões para construir uma nova sede. Isso, sim, pode pesar no bolso de todos nós.

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: