Uma pedra de gelo ou a ponta de um iceberg?

Começo este post cumprimentando o repórter Paulo Cesar Grange e o site do Jornal Gente, responsáveis pelo furo de reportagem sobre a primeira audiência da Comissão de Inquérito que investiga o que se convencionou chamar de “atos secretos” da prefeitura de Jaú. Foram os pioneiros a publicar os primeiros passos de uma novela que começou com ares de produção de grande porte, com direito a cenas de suspense e fortes emoções.

Segundo a reportagem do site do jornal – muito rica em detalhes, que servirá de guia para este comentário e está disponível em um link no final deste post – a Comissão de Inquérito já descobriu, no primeiro dia efetivo de trabalho, que ao menos cinco edições do “Jornal Oficial” do município com data de capa dos meses de março, abril, julho, agosto e dezembro de 2010 foram enviados à gráfica e impressos em 2011.

Depois de ouvirem o depoimento da empresária Tatiana Moço Ortigoza, proprietária da Jaucomm, empresa que diagrama e imprime o Jornal Oficial, os vereadores Fernando Frederico de Almeida Junior, presidente da Comissão, Carlos Ramos, Kakai, relator, e Ronaldo Formigão, membro, fizeram uma diligência no Departamento de Comunicação da prefeitura e encontraram as provas que já foram anexadas aos autos.

Tatiana explicou como acontece o processo. O Departamento de Comunicação recolhe os editais, manda o material para Jaucomm, por e-mail. A empresa diagrama o jornal e manda a prova da edição, também por e-mail. O Departamento de Comunicação revisa, aprova o material e autoriza a impressão, também por e-mail. 24 horas depois, a Jaucomm entrega os exemplares para serem distribuídos pela prefeitura.

A empresária deixou bem claro que ela não muda uma vírgula do material mandado para sua empresa. Isso inclui números dos decretos e datas de publicação dos jornais. Realiza um trabalho mecânico. Comentou ainda que é mais uma na lista de credores da prefeitura e tem a receber da atual administração R$ 33 mil.

Sabendo como funciona a rotina, os vereadores foram de surpresa até o Departamento de Comunicação e tiveram acesso aos e-mails trocados entre a prefeitura e Jaucomm. As correspondências foram impressas e anexadas aos autos.

O que têm de tão importante esses e-mails? Simplesmente comprovam o seguinte: a edição do Jornal Oficial número 419-D, com data de capa de  25/03/2010 a 1/04/2010, só recebeu autorização para ser impresso em 8/02/2011. Para a edição de número 437-D, com data de capa de 3/12/2010 a 6/01/2010, a autorização para impressão só aconteceu em 04/04/2011.

As edições de número 450 B, 450 C, as duas com datas de capa dos dias 29/10/2010 a 4/11/2010, além da edição 495-C, com data de capa dos dias 1/12-2010 a 6/01/2011, foram todas autorizadas a serem impressas no dia 25 de fevereiro de 2011.

Segundo o vereador Kakai declarou ao Jornal Gente, apenas a edição 419-D do Jornal Oficial traz uma movimentação financeira no valor de R$ 36 milhões.

A julgar pelo primeiro dia de audiência da Comissão de Inquérito que apura os chamados atos secretos, muita água vai passar por baixo da ponte. Ou por baixo do gelo. Ou, quem sabe, vai mover um grande iceberg.

A reportagem completa do repórter Paulo Cesar Grange está AQUI.

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