Você já descobriu a tecla “Mute”? Descubra. Vale a pena.


Em todo controle remoto de qualquer aparelho de TV tem lá um botãozinho chamado “Mute”. Ou “Mudo”. Como tenho hábito de ler manuais de aparelhos, aprendi que eles servem, entre outras coisas, pra gente apertar o bichinho quando, por exemplo, toca o telefone.  Passei anos ignorando esse botãozinho. Hoje uso muito.

Tem coisas que não já não consigo mais engolir. Não suporto ver na televisão os comerciais das Casas Bahia, Magazine Luiza, anúncios de varejo em geral. Locutores berrando alucinadamente, como se a gente fosse surdo. Eles me irritaram durante muito tempo, mas hoje tenho o antídoto para esses caras: a tecla “Mute”.

O mais divertido nessa história é que você não perde uma oferta. Esse tipo de comercial nem precisaria ter áudio. Tá tudo escrito na tela. O modelo da TV, quantas polegadas, o preço à vista, o número de prestações… tudo lá. Experimente. Você não vai perder nada se apertar o tal botãozinho.

É uma pena que a gente não pode apertar a tecla “Mute” em outras situações. Quando passa uma moto barulhenta. Quando param em frente da nossa casa os vendedores de pamonhas quentinhas, de peixes e sardinhas prata. Quando alguém desembesta a falar sem parar. Ou quando você encontra um cara implicante, ranzinza.  Um dia vão inventar um aparelho discretinho, pra levar no nosso bolso. É só apertar o botãozinho e pronto. Ninguém iria perceber. Incomodou, vai para o espaço.

Fazia muito tempo que não via novela porque odeio gente gritando. Na semana passada, Vera resolveu assistir os últimos capítulos da novela das nove da Globo. Dois ou três. Fiquei aqui, no meu note, “twitando”. De vez em quando dava uma olhadinha. É sempre a mesma coisa: gente brigando, gente gritando. Tenho comigo uma tese. Acho que os redatores de novela são obrigados a colocar nos roteiros gente gritando, que é para acordar as velhinhas e velhinhos que cochilam durante os capítulos. Deve ser isso.

A palavra “galera” reina soberana entre os chavões. “Vamos lá, galera”. “Oi galera do Vídeo Show”. Coisa mais brega. Só perde para a expressão “com certeza”, que campeia as entrevistas paupérrimas em que o repórter faz uma pergunta óbvia e o entrevistado responde o óbvio: “com certeza”.

Tem mais. Acho forçar a barra chamar favela de “comunidade”. Será que é pra ficar mais chique? Favela é favela. Ponto. Lá dentro pode ter várias comunidades, nunca uma só. Também implico quando vejo loja de “materiais” de construção. Material é coletivo. Já diz tudo. Um monte de coisas.  Cimento, tijolo, areia, ferragem, tinta. Tudo isso é material de construção, não materiais de construção.

Chega de implicar. Estou parecendo um velho ranzinza. Quando isso começa a acontecer é porque está na hora de arrumar a tralha (substantivo coletivo também, como material) e passar uma tarde no pesque-solte. Na tralha levo carretéis de linha, anzóis, chumbadas, canivete, balança, bóias. Chama tralha e não “tralhas”. Nossa, estou começando a implicar de novo. Hora de terminar. Antes que alguém dê um “Mute” em mim.

(Artigo publicado no “Comércio dia 23/01/2011, atualizado.)

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    • sandra aparecida arroyos
    • 18 de abril de 2011

    PRETENDO A PARTIR DE HOJE USAR A TECLA MUTE QUANDO APARECER A PROPAGANDA DO PARTIDO VERDE.ODEIO OUVIR A VOZ DO OSVARDINHO.

    • cyrus
    • 21 de abril de 2011

    Mario:- Mas do que eles estão se queichando,se voce só colocou a realidade.Ontem fui à cidade não tinha o cartão do idoso que havia ficado em outro carro e poriso não coloquei o carro na vaga de idoso,procurei cartão não encontrei em meu porta luva,não vi nenhuma loja perto de onde estava que vendesse esse cartão,estava na Amaral,defronte ao Shed,subi até a Lourenço, pela Major e deparei com dois fiscais, batendo papo ,no trajeto verifiquei que 60 % dos carroa estavam sem o cartão.Me dirigi ao Fiscal e perguntei-lhe onde poderia encontrar cartão e ele me indicou alguns pontos:- O bar aí da esquina ou na outra esquina.Meu raciocinio foi simples :- Se os individuos estão aqui batendo papo e não multaram ou alertaram ninguem,por que que eu iria me deslocar uma quadra e meia baixo para colocar o cartão,vou arriscar.Acabei esquecendo,
    votei 3 horas depois.Nem eu nem ninguem havia sido devidamente multado.É isso que está acontecendo, não sei de quem é a responsabilidade de multar,mas os responsáveis não estão cumprindo o dever.AbraçoCyrus

    • Cyrito. Tá mais do que latente o desrespeito no trânsito em nossa cidade. Só não vê quem não quer. Abraço, Mário.

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