O ó do Borogodó…

Nunca escrevi numa varanda de casa de praia, com uma bela piscina na frente e a Mata Atlântica ao lado. Bem pertinho. Daqui a pouco deve chegar um casal de tucanos que costuma dormir numa árvore enorme, bem diferente de todas as outras. É bem aberta, espalhada. Tipo dona do pedaço. Imponente mesmo.

Aqui, nesta varanda, tenho passado as tardes dos últimos quatro dias. Sentado numa cadeira branca de palhinha com o pé esquerdo para o alto, em outra cadeira igual, sobre uma almofadinha branca, espremido por uma tornozeleira, que agora chamam de tensor. Pouco me importa como chama o treco. Sei que ajuda a segurar a pomada, deixa a pisada mais firme e está me curando da, com perdão do trocadilho, mancada que dei.

Domingo à noite, lá pelas tantas, fui buscar uma cerveja de garrafa fabricada em Agudos (importada de Jaú) que havia colocado no freezer, para dar troco nas inúmeras latinhas mergulhadas no cooler cheio de gelo e água gelada. Elas são boas companheiras na lancha do Antônio Carlos, consogro super gente boa que está nos hospedando. Vão bem também na praia. Mas nem tanto neste cantinho onde estou agora, escrevendo pra vocês.

Mas antes de abrir a porta do freezer preciso contar que nunca tinha passado réveillon na praia, num condomínio muito legal, onde as casas têm jardins comuns. Nada de muro. A piscina fica no centro e as alamedas que dão acesso à praia passam nas portas das casas. Todo mundo cumprimenta todo mundo. Todo mundo se conhece.

Passar o ano na praia é bem legal, principalmente sem chuva. Sempre curti fogos de artifício. Foi bonito. Depois, tem aquela história de pular sete ondas. Pulamos todos de mãos dadas. Som nas caixas nas tendas, cervejinha (de lata) gelada, caminhada na beira do mar olhando as estrelas e incontáveis brindes com os novos amigos.

Lá pelas tantas, chegou a inevitável hora de fazer xixi. Saí discretamente em direção ao mar, como todo mundo faz. Pois não é que veio uma onda dupla e banhou a câmera fotográfica digital último modelo que havia ganho de minhas filhas e genros no Natal? Tremenda sacanagem. Todo dia a câmera me faz companhia aqui na varanda. Ela no sol, para ver se seca, eu na sombra, com o pé para o alto. Por enquanto ela está falecida. Amanhã vou ligar de novo, pra ver se ressuscita. Sinceramente, acho que já era.

Nossa casa está bem mais calma agora. Antônio Carlos e Verinha já voltaram para São Paulo. Marcus – o irmão mais velho do Serginho – e Aline; César, outro irmão, e Lucas, um querido amigo, também foram. Sete horas de viagem cada carro. Isso porque subiram todos na segunda-feira, pra fugir dos congestionamentos de domingo. Ficamos Mariana, minha filha, Serginho, Vera e eu.
Voltando ao congelador: quando chegou à Barra do Una, na sexta, Mariana colocou no freezer uma garrafa de Limoncello, para congelar. Estava lá, ao lado da minha cerveja.

Três dias de chuva direto. Entre uma embaralhada e outra do também inevitável jogo de buraco (quem não joga buraco quando chove na praia que atire a primeira pedra…) fui buscar a cerveja de garrafa no freezer. Aquela. Noivinha. A vingança de todas as latinhas. Abri o congelador com a mão direita, peguei a bichinha com a esquerda e a garrafa do tal Limoncello – que estava colada – veio junto.
Num ato reflexo, coloquei o pé esquerdo para amortecer a queda daquela garrafa que mais parecia um bloco de gelo. Pegou de quina no peito do meu pé e estilhaçou no chão. Achei que tinha quebrado tudo. A garrafa e meu pé. Doeu pra caramba. Acabou o jogo de buraco, porque enquanto eu tenteava um saco plástico de gelo no pé lesado, todo mundo foi pra cidade pra comprar pomada e o tal tensor.

Segunda e terça de molho. Quarta fui pra praia, usando um guarda-chuva como bengala. Imaginem só: depois de quatro dias de chuva alguém aparecer na praia, maior sol, carregando um guarda-chuvas… É o ó do borogodó.

Felizmente “não há bem que sempre dura nem mal que nunca se acaba”. Domingo voltamos pra casa, com meu pé quase bom.

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